Estadão

De Real para Realidade

i x Efeitos sonoros
Últimas Notícias

Irmão de Cabral assume ter recebido dinheiro por empresa e sem prestar serviço

Leia maisFechar
Constança Rezende, 13/12/2017, 17h10 Maurício Cabral disse que negócio foi firmado por intermédio de Carlos Miranda, apontado pelo MPF como operador financeiro do esquema chefiado pelo ex-governador

RIO - Irmão do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), o publicitário Maurício Cabral admitiu nesta quarta-feira, 13, que recebeu R$ 240 mil por meio de sua empresa, a Estalo Comunicação Ltda, sem ter prestado nenhum serviço – uma nota fria. Segundo Maurício, o negócio foi firmado por intermédio de Carlos Miranda, apontado pelo Ministério Público Federal como operador financeiro do esquema chefiado pelo ex-governador, preso desde novembro de 2016 e condenado três vezes por corrupção e outros crimes.  As declarações foram dadas ao juiz Marcelo Bretas,  da 7ª Vara Federal Criminal, no Rio de Janeiro.

+++ Marcelo Bretas diz que teme manobra política no fim do ano contra combate à corrupção

De acordo com Maurício, Miranda lhe sugeriu que prestasse serviço à empresa Survey, de Alberto Conde, contador da empresa FW Engenharia. O  Ministério Público  Federal (MPF) sustenta que a FW, de Flávio Werneck, teria trabalhado para dar aparência lícita ao pagamento de R$ 1,7 milhão de propina. Maurício, porém, tentou demonstrar que agiu de boa-fé.

+++ Cabral faz prova do Enem na cadeia

Receba no seu e-mail conteúdo de qualidade

Logo você receberá os melhores conteúdos em seu e-mail.

"Eu cheguei para o Carlos Miranda, que era meu amigo e disse: se você tiver algum cliente para me indicar me ajudaria. Estava precisando de jobs  (trabalhos) para serviços de publicidade. O Carlos me disse: vai ter um trabalho para gente fazer juntos, pela empresa Survey", disse.

+++ 'Não sou Adhemar de Barros que rouba, mas faz. Eu realizei', diz Cabral 

Segundo o irmão de Cabral, o dinheiro foi depositado em 2011, a nota foi emitida, mas o serviço nunca foi feito por sua empresa. "Eu perguntava para o Carlos: E o trabalho? E o trabalho? Mas o trabalho nunca apareceu. Eu emiti a nota antes porque acreditei que o serviço seria feito", afirmou. Maurício acrescentou não ter devolvido o dinheiro,  que usou mais tarde. 

+++ Penas de até 300 anos ameaçam Cabral

Alberto Conde também admitiu, em depoimento, que a sua empresa Survey foi utilizada para a emissão de notas frias para serviços nunca prestados. Segundo ele, os pagamentos eram feitos por ordem de Werneck. Ele depositava os valores na conta da Survey, por meio da FW Engenharia, que seriam depois repassados a outras empresas de fachada.

De acordo com a denúncia do MPF, os pagamentos realizados pela Survey ocorreram em função de benefícios recebidos pela FW em contratos com o governo do Estado do Rio de Janeiro durante a gestão de Cabral. Entre 2007 e 2014, o volume de contratos da empresa com o governo aumentou 37 vezes e incluiu obras expressivas, como a urbanização do Complexo de Manguinhos.

Outra empresa de fachada que teria sido beneficiada no esquema foi a Araras Empreendimentos, de propriedade de Susana Neves, ex-mulher de Sérgio Cabral. As investigações identificaram, entre outubro de 2011 e dezembro de 2013, 31 depósitos bancários da Survey em favor da Araras, totalizando o pagamento de R$ 1, 2 milhões. Susana também iria depor nesta quarta-feira, mas pediu o adiamento.

A denúncia também aponta para o depósito de quatro cheques na contra da LRG Agropecuária, de Carlos Miranda, no valor de R$ 193.850,00, entre dezembro de 2011 e abril de 2012. As investigações concluíram que a LRG Agropecuária era uma empresa de fachada usada na operacionalização de esquema de lavagem de recursos obtidos com o crime de corrupção.

Criada em 2007, a empresa de consultoria chegou a ter faturamento de R$ 2,3 milhões em 2013. Em 2015, após a saída de Cabral do governo, o faturamento declarado foi de apenas R$ 7 mil.

A denúncia do MPF pede a condenação de Sérgio Cabral, Flávio Werneck e Alberto Conde por 36 atos de lavagem de dinheiro, divididos em três episódios, e a condenação de Susana Neves por 31 atos de lavagem, de Maurício Cabral por um ato e de Carlos Miranda por quatro atos, cada um em um episódio.

Outro lado. A defesa de Suzana Neves afirmou que tem a “certeza e a convicção de sua absolvição e de que tudo será esclarecido em seu depoimento”, marcado para o próximo dia 18. A FW e Werneck não se pronunciaram.

R$ 240.000,00 = 2 Ambulâncias
Linhas existentes - 335 km
Linhas que poderiam existir - 934 km
N

São Paulo

10 km
Vacinas dos últimos anos
Vacinas que poderiam ser compradas
Aedes aegypti - transmissor da Dengue / Chicungunya / Zica
Nº de repelente
14.964 casos de 2013 a 2016
1.125 cartelas de Tamiflu
225 casos por H1N1
Foto: André Dusek | Fonte base conversão: Estadão

Neste momento em que o País passa por uma situação crítica, com deficiência de serviços públicos básicos, diariamente há um volume de denúncias e suspeitas de desvio de dinheiro de proporções sempre surpreendentes. Milhares, milhões, bilhões. São cifras tão grandes que fica difícil para os leitores entender a real dimensão do problema. Com a ferramenta “De Real para Realidade”, o leitor vai poder interagir com as matérias do jornal, convertendo as quantias em benefícios como vacinas H1N1, ambulâncias, repelentes, casas populares, quilômetros de metrô, entre outros, conectando as notícias de onde o dinheiro desaparece com as notícias de onde ele está faltando.

Fonte base conversão: Estadão
O valor base de conversão de Ambulâncias é de R$ 82.406, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Ambulância: R$ 82.406
O valor base de conversão de Caminhões-pipa é de R$ 516 (15 mil litros), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Caminhão-pipa: R$ 516 (15 mil litros)
O valor base de conversão de Casas Populares é de R$ 200.000, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Casa Popular: R$ 200.000
O valor base de conversão de Quilômetros de Metrô é de R$ 296.000.000, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Km de Metrô: R$ 296.000.000
O valor base de conversão de Merendas Escolares é de R$ 2,22, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Merenda Escolar: R$ 2,22
O valor base de conversão de Quadras Poliesportivas é de R$ 44.450, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Quadra Poliesportiva: R$ 44.450
O valor base de conversão de Repelentes é de R$ 12, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Repelente: R$ 12
O valor base de conversão de Tamiflus é de R$ 199 (75mg), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Tamiflu: R$ 199 (75mg)
O valor base de conversão de Vacinas H1N1 é de R$ 120, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Vacina H1N1: R$ 120
O valor base de conversão de Viaturas Policiais é de R$ 51.266 (Palio Weekend), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Viatura Policial: R$ 51.266 (Palio Weekend)