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José Nêumanne 03/11/2017, 11h57 Quando Temer vai perceber a impropriedade de manter gente sem noção como Luislinda no governo?

No país de desempregados e mal pagos Luislinda quer furar teto. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

É útil esclarecer a respeito do completo despreparo exibido nestes dias recentes pela desembargadora baiana Luislinda Valois para a função de ministra dos Direitos Humanos no governo Temer ao pedir autorização para furar o teto constitucional dos servidores públicos, passando dos R$ 34.700 que atualmente recebe todo mês para R$ 61.400 e assim deixar de ser tratada como escrava, que no Brasil oficial, que Machado de Assis já contrapunha em crônica publicada na imprensa ainda no século 18 ao Brasil real, age-se rotineiramente assim. Da mesma forma que a ocupante de vaga tucana na administração federal, a grande maioria dos servidores ditos públicos só pensa na famosa lei da burocracia do Estado brasileiro no Pai Nosso distorcido: “Venha a nós e ao vosso reino nada”. E, ao se negar a tomar conhecimento desse absurdo, Temer assume de vez a condição de chefe do governo representado pela máquina pública estroina e egoísta, e não da Nação, pobre e espoliada.

(Comentário no Jornal Eldorado da Rádio Eldorado na sexta-feira 3 de novembro de 2017, às 7h30)

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E abaixo a íntegra da degravação do comentário:

Eldorado 3 de novembro de 2017 – Sexta-feira

A assessoria de imprensa do Ministério dos Direitos Humanos informou no feriado no meio da tarde que a ministra Luislinda Valois vai desistir do pedido que fez ao governo para acumular o seu salário com o de desembargadora aposentada, o que lhe garantiria vencimento bruto de R$ 61,4 mil. O Planalto não se pronunciou. O assunto devia se encerrar assim?

Claro que não. Essa desistência ocorreu após a Coluna do Estadão, em furo pelo qual cumprimento as colegas Andreza Matais e Naira Trindade, revelar o pedido feito pela ministra à Casa Civil. No documento, de 207 páginas, Luislinda reclamou que, por causa do teto constitucional, só pode ficar com R$ 33,7 mil do total das rendas. A ministra diz que essa situação, “sem sombra de dúvidas, se assemelha ao trabalho escravo, o que também é rejeitado, peremptoriamente, pela legislação brasileira desde os idos de 1888 com a Lei da Abolição da Escravatura”.

“Considerando o documento sobre a situação remuneratória da ministra Luislinda Valois, o Ministério informa que já foi formulado um requerimento de desistência e arquivamento da solicitação.”

Luislinda justifica no documento de 207 páginas que, por causa da regra do abate-teto, pela qual nenhum servidor ganha mais do que um ministro do Supremo, seu salário de ministra cai para R$ 3.292 brutos. O de desembargadora, de R$ 30.471,10, é preservado. Em entrevista à Coluna do Estadão, a valorosa ministra disse que é seu direito receber o valor integral para trabalhar como ministra porque o cargo lhe impõe custos como se “vestir com dignidade” e “usar maquiagem”. Ela não se arrepende de ter comparado seu caso ao trabalho escravo. “Todo mundo sabe que quem trabalha sem receber é escravo”, diz.

SONORA 0311 VALOIS

Na verdade, ela tem um série de direitos devido ao cargo que ocupa, como carro com motorista, jatinho da FAB, cartão corporativo e imóvel funcional. Além desses benefícios, Luislinda também ganha diárias do governo federal. Só neste ano ela recebeu R$ 45,098 mil. No ano passado, a ministra recebeu R$ 26.135 de julho, quando assumiu, a dezembro em diárias. Em junho deste ano, além do salário de desembargadora aposentada no Tribunal de Justiça da Bahia, Luislinda recebeu ainda R$ 15 mil a mais relacionados a uma vantagem paga a servidores daquele estado.

Consultado, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre o assunto até a publicação da notícia. Andreza Matais e Naira Trindade)

O editorial A escrava que não é Isaura termina assim: Certamente, cabe-lhe o direito de postular suas pretensões salariais e de dizer o que pensa. O que não cabe é fazer tais pedidos e interpretações e continuar ocupando o Ministério dos Direitos Humanos. Se o pesado cargo lhe é demais, alforrie-se. Ela é livre para isso. O que ela chama de “miudezas” está longe de ser miudezas – são acintosos privilégios num país de desprivilegiados.

No Brasil oficial, que Machado de Assis já contrapunha em crônica na imprensa ao Brasil real, age-se assim. O servidor só pensa na famosa lei da buroracia do Estado brasileiro no Pai Nosso distorcido: Venha a nós e ao vosso reino nada. Ao se negar a tomar conhecimento desse absurdo, Temer assume de vez a condição de chefe do governo representado pela máquina pública estróina e egoísta, e não da Nação, pobre e espoliada.

Sindicatos de representação dos servidores públicos vão entrar na Justiça contra a medida provisória editada nesta semana que adia o reajuste salarial e eleva a contribuição previdenciária da categoria, segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O reajuste negociado para 2018 foi postergado para 2019. Já a contribuição previdenciária subiu de 11% para 14% para quem ganha acima de 5.000 reais. É a confirmação da cegueira e da alienação de nosso funcionalismo.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha a decisão de prisão após segunda instância. O que você acha disso?

Dodge disse que, caso a Corte decida rever o tema a pena será a perda de credibilidade nas instituições. “Nossa agenda mais recente deve incluir a luta pelo fim da impunidade. Para isto, é necessário defender no Supremo Tribunal Federal o início da execução da pena quando esgotado o duplo grau de jurisdição, com a condenação do réu pelo Tribunal intermediário”,

Em outubro do ano passado, o STF determinou que é constitucional a execução da pena após segunda instância. Mas neste ano, os ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello já indicaram que a Corte pode rever a decisão. A Advocacia-Geral da União encaminhou um parecer ao Supremo, em outubro, pedindo que o pleno reveja a decisão.

Eu já havia manifestado aqui mesmo perante este microfone que Dodge não seria a serviçal que o Planalto espera, só porque foi indicada por Temer por indicação do primeiro amigo Gilmar Mendes.

Por falar em Gilmar, o maior alvo de seus impropérios, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot disse, em entrevista à CNN em espanhol, que já é possível ver um fim da Operação Lava Jato e que as investigações chegaram à “cabeça da organização criminosa”.

SONORA 0311 A JANOT 

Janot também afirmou que a Lava Jato pertence “à sociedade brasileira” e aos países que foram afetados por atos de corrupção de nossas empresas.

É mais um sinal de que o acórdão para “estancar a sangria da Lava Jato”, no dizer de Romero Jucá, o Caju da Odebrecht, está tendo efeito nada bom.

 Um dia após ajuizar uma interpelação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro da Justiça, Torquato Jardim, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, voltou a criticá-lo e disse que as “ilações” feitas por ele sobre a polícia do Rio não ajudam em nada. Ele tem autoridade moral para sustentar essa polêmica?

“Se ele tem essas informações, que apure”, afirmou o governador em entrevista à rádio CBN no feriado. “Essas ilações, essas falas, não ajudam nada. Trazem dúvidas”, disse ele.

Na terça-feira, 31, o ministro acusou políticos e comandantes de batalhões da Polícia Militar de se associarem ao crime organizado no Rio. Também afirmou que o governador fluminense e o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, não têm controle sobre a PM. Pezão reafirmou sua confiança no trabalho de Sá e descartou sua substituição.

Enquanto Pezão e Sá se solidarizam com a PM que não controlam, o ministro fica no cargo e o presidente da Câmara, em seu périplo de orações na Terra Santa e na Europa, mandou declarações de paz. presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que criticou a generalização feita pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, sobre casos de corrupção envolvendo comandantes da Polícia Militar do Rio, mas negou ao GLOBO que tenha pedido a saída dele do cargo. Em viagem ao exterior, Maia contou que, se há informações dentro do Ministério da Justiça sobre a associação de PMs de alta patente com o crime organizado, que primeiro sejam apresentadas provas e adotadas ações para punir os envolvidos. As declarações do ministro causaram mal estar no governo e a orientação é para que ele evite mais polêmicas sobre o assunto. Este é o tipo do caso em que ninguém tem razão: o ministro teria de dar nomes aos bois ou sair do curral assinando a carta de demissão. Pezão, Sá e Maia não têm o direito de tentar se aproveitar do brio bastante duvidoso de sua PM para tentar esconder o sol com a peneira da responsabilidade do grupo político de que fazem parte na tragédia da Rocinha, que também é do Rio e pode terminar sendo do Brasil.
Aliás, o Brasil real tem más notícias. O Jornal Nacional divulgou cenas filmadas do Globocop mostrando traficantes empunhando fuzis militares num baile funk, como um desafio à lei inócua em que o governo federal transformou o porte de armas militares em crime hediondo. E o mais grave: atingido por uma bala perdida quando brincava na sala de casa, na segunda-feira, Vitor Gabriel, de 3 anos, teve morte cerebral nesta quinta-feira no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu.

O abismo entre o Brasil real e o oficial só aumenta e se aprofunda.

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) pediu ao Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira, 1, que seja revelado o número de telefone utilizado para fazer a denúncia anônima sobre o bunker dos 51 milhões de reais atribuídos a ele. Qual é o limite da cara de pau dessa gente?

A montanha de dinheiro vivo foi encontrada em malas e caixas em um apartamento na cidade de Salvador. O montante – maior volume de dinheiro vivo já apreendido pela PF na história – em que foram encontradas impressões digitais do peemedebista, estava em um apartamento na capital baiana a pouco mais de um quilômetro da residência do peemedebista. A Polícia Federal descobriu o tesouro por meio de uma denúncia anônima. Geddel é investigado por lavagem de dinheiro.

Alvo de inquérito por lavagem de dinheiro, o ex-ministro de Lula e Temer foi preso pela segunda vez no dia 8 de setembro, no âmbito da Operação Tesouro Perdido. Ele já havia sido encarcerado no dia 3 de julho, pela primeira vez, por obstrução de Justiça, crime pelo qual é denunciado pela Procuradoria, e respondia em regime domiciliar quando o apartamento com malas e caixas de dinheiro foi descoberto.

A desfaçatez dessa tal Orcrim do PMDB não tem limites. Depois que seu advogado disse que não bastam impressões digitais para caracterizar a relação do ex-homem de confiança de Temer com o dinheiro, este quer saber quem o denunciou. O próximo passo vai ser contratar o pistoleiro para matar o infeliz. O cinismo de Geddel só nos lembra que da acusada Orcrim do Planalto, três estão presos, Cunha, Geddel e Henrique Eduardo Alves. Um está em prisão domiciliar, Rodrigo da Rocha Loures, o homem da mala, e três no Palácio mandando no País como representantes do Brasil oficial. E três no Palácio, garantidos pela Câmara: Temer, Moreira e Padilha. Não é propriamente um motivo de nos ufanarmos de nossa pátria.

A China Telecom, uma da maiores empresas de telecomunicações do mundo, mostrou em reuniões com o governo que pode aportar até R$ 20 bilhões na Oi. Isso evitará a falência da Telegangue?

De acordo com uma fonte do Globo, que deu a notícia, a companhia chinesa informou sua intenção de investir na tele carioca ao participar de reuniões na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e na Advocacia-Geral da União (AGU) nesta quarta-feira. Com esse volume de recursos, a chinesa poderá ter até 70% das ações da Oi.
Isso tudo é papo pra inglês ver. Chineses dispostos a colocar 20 bi em empresa que deve 65milhões na praça, ou seja mais do que tem é uma história que não fecha Aliás, 20 bilhões é o que a antiga tele verde-amarela deve à União, ou seja, a nós.. Só é possível se alguém pagar essa conta. E o candidato a pagar  a conta é o de sempre, a viúva para viabilizar o negócio da China. Pergunta:  Se empresa Chinesa colocar 20 bilhões na Oi recebe o que em troca? O direito de ter de pagar mais 50 bilhões em dívidas? Logo não é este o negócio. Alguém tem que pagar a conta. Se depender de Kassab, Juarez Quadros e Baleia Rossi, seremos nós. Duvida?

SONORA República Federativa do Bandido Moacyr Franco

R$ 61.400,00 = 1 Casas Populares
Linhas existentes - 335 km
Linhas que poderiam existir - 934 km
N

São Paulo

10 km
Vacinas dos últimos anos
Vacinas que poderiam ser compradas
Aedes aegypti - transmissor da Dengue / Chicungunya / Zica
Nº de repelente
14.964 casos de 2013 a 2016
1.125 cartelas de Tamiflu
225 casos por H1N1
Foto: Márcio Fernandes | Fonte base conversão: Estadão

Neste momento em que o País passa por uma situação crítica, com deficiência de serviços públicos básicos, diariamente há um volume de denúncias e suspeitas de desvio de dinheiro de proporções sempre surpreendentes. Milhares, milhões, bilhões. São cifras tão grandes que fica difícil para os leitores entender a real dimensão do problema. Com a ferramenta “De Real para Realidade”, o leitor vai poder interagir com as matérias do jornal, convertendo as quantias em benefícios como vacinas H1N1, ambulâncias, repelentes, casas populares, quilômetros de metrô, entre outros, conectando as notícias de onde o dinheiro desaparece com as notícias de onde ele está faltando.

Fonte base conversão: Estadão
O valor base de conversão de Ambulâncias é de R$ 82.406, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Ambulância: R$ 82.406
O valor base de conversão de Caminhões-pipa é de R$ 516 (15 mil litros), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Caminhão-pipa: R$ 516 (15 mil litros)
O valor base de conversão de Casas Populares é de R$ 200.000, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Casa Popular: R$ 200.000
O valor base de conversão de Quilômetros de Metrô é de R$ 296.000.000, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Km de Metrô: R$ 296.000.000
O valor base de conversão de Merendas Escolares é de R$ 2,22, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Merenda Escolar: R$ 2,22
O valor base de conversão de Quadras Poliesportivas é de R$ 44.450, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Quadra Poliesportiva: R$ 44.450
O valor base de conversão de Repelentes é de R$ 12, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Repelente: R$ 12
O valor base de conversão de Tamiflus é de R$ 199 (75mg), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Tamiflu: R$ 199 (75mg)
O valor base de conversão de Vacinas H1N1 é de R$ 120, baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Vacina H1N1: R$ 120
O valor base de conversão de Viaturas Policiais é de R$ 51.266 (Palio Weekend), baseado nas fontes fornecidas pelo Estadão Viatura Policial: R$ 51.266 (Palio Weekend)